quarta-feira, 20 de março de 2013

Ruínas

Por onde quer que tenha começado,
 pelo corpo ou pelo sentido,
 ficou tudo por fazer, o feito e o não feito,
 como um sono agitado interrompido.

O teu nome tinha alturas inacessíveis
 e lugares mal iluminados onde
 se escondiam animais tímidos que só à noite se mostravam
 e deveria talvez ter começado por aí.

Agora é tarde, do que podia
 ter sido restam ruínas;
 sobre elas construirei a minha igreja
 como quem, ao fim do dia, volta a uma casa.

(Manuel António Pina, Como Se Desenha Uma Casa, Assírio & Alvim, 2011)
     

Sem comentários:

Enviar um comentário