segunda-feira, 29 de abril de 2013

O começo da memória

O começo da memória

Há uma história numa peça de teatro antiga sobre pássaros chamada Os Pássaros.
É uma pequena história dos tempos em que o mundo ainda não tinha começado,
desses tempos em que não havia terra, nem chão,
só ar e pássaros por todo o lado.
Por isso a questão era não haver espaço para pousar.
Porque não havia terra.
Por isso os pássaros limitavam-se a voar em círculos sobre círculos.
Porque isto foi antes do mundo começar.
E o som era ensurdecedor - cantos de pássaros por todo o lado:
biliões e biliões e biliões de pássaros.
E um destes pássaros era uma cotovia cujo pai um dia morrreu.
E isto revelou-se realmente um grande problema porque o que se deveria fazer com o corpo?
Não havia espaço para o colocar porque não havia terra.
Finalmente a cotovia encontrou uma solução.
Decidiu enterrar o pai na nuca da sua própria cabeça.
E isto foi o começo da memória.
Porque antes disto ninguém conseguia lembrar-se de nada,
limitava-se a voar constantemente em círculos,
a voar constantemente em grandes círculos.

Laurie Anderson

Esplanada


Naquele tempo falavas muito de perfeição,
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,

agora lês saramagos & coisas assim
e eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro dentro de mim.

O café agora é um banco, tu professora de liceu;
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,
e não caminhos por andar como dantes.


Manuel António Pina

Eis-me acordado

Eis-me acordado
Com o pouco que me sobejou da juventude nas mãos
Estas fotografias onde cruzei os dias sem me deter
E por detrás de cada máscara desperta
A morte de quem partiu e se mantém vivo...
A luz secou na orla desértica da cidade
Escrevo para sobreviver
Como quem necessita de partilhar um segredo...
Este corpo em que me escondi... gastou-se...
Quantas noites permanecerão intactas no fundo do mar?
O rosto ainda jovem
Foi o tesouro de seivas que me entonteceu
Pelo corpo condeno-me à vida
De susto em susto à inutilidade da escrita...
Mas eis-me acordado
Muito tempo depois de mim
Esperando por alguma fulguração do corpo esquecido
À porta do meu próprio inferno...

Al Berto

De que armas

“De que armas disporemos, senão destas /
Que estão dentro do corpo: o pensamento, /
 A ideia de polis, resgatada /
 De um grande abuso, uma noção de casa /
 E de hospitalidade e de barulho /
 Atrás do qual vem o poema, atrás /
 Do qual virá a colecção dos feitos /
 E defeitos humanos, um início”.

Hélia Correia

Desencanto dos dias


Não era afinal isto que esperávamos
Não era este o dia
Que movimentos nos consente?
Ah ninguém sabe
como ainda és possível poesia
neste país onde nunca ninguém viu
aquele grande dia diferente


Ruy Belo

Entrevista

Das coisas melhores que me aconteceram na vida foi ter nascido numa aldeia da Beira Baixa, e aí ter passado toda a minha infância. Como sou filho, neto e bisneto de camponeses, em casa havia apenas um só livro, uma Vida de Santos que ninguém lia, pois as poucas letras que alguns homens da família haviam aprendido tinham-nas esquecido quase todas. Meteram-me na escola aos seis anos de idade, aprendia facilmente, mas nunca li o tal alfarrábio, pois o meu mundo também não era o das letras, mas o dos pássaros e do vento, o das águas e dos amieiros. Essa era a "poesia" que me chegava, mas havia outra, ela vinha na voz de minha mãe, e nos seus intermináveis romances, cuja lembrança me aquece ainda. (...)

–        Quando começou então o seu interesse pela poesia escrita?
–        Um pouco mais tarde, já em Lisboa. Devia andar pelos meus doze anos quando me caiu nas mãos e, literalmente, devorei a biblioteca de um vizinho. Não era grande, mas bem escolhida: a par de Júlio Verne, Jack London e Alexandre Dumas, havia clássicos e românticos portugueses, os grandes romancistas russos, todo o Eça, todo o Junqueiro, algum Aquilino. E um poeta moderno, nesses anos muito célebre: António Botto. Comecei então a escrever poesia, se não é descaro dar tal nome ao que fazia. Como não tinha letrados na família e queria saber, como acontece a qualquer bicho-careta que faz versos, se eles tinham algum valor, escrevi uma carta ao António Botto e juntava-lhe três ou quatro poemas. Botto marcou-me um encontro numa livraria da Rua do Carmo. Eu era então - e ainda sou - muito tímido. Certamente falei pouco. António Botto estava com um amigo, a quem me apresentou. Admirou-se muito que eu fosse tão novo, depois tirou os meus poemas da carteira e leu-os mais para o amigo do que para mim. Quem conheceu António Botto sabe que ele lia admiravelmente. Os meus versos pareceram-me outros e as palavras que o poeta encontrou para me dizer tiraram-me o sono durante alguns dias. É preciso que se diga que eu teria então quinze anos e nunca havia revelado a ninguém que fazia versos, o que escondia como doença vergonhosa, ou coisa assim, igualmente triste.
  Um dia António Botto aconselhou-me a publicar uns versos sobre um tema que lhe era particularmente grato, o da beleza que se contempla e se compraz em si mesma. Foi uma alegria ver o meu nome impresso, mas passado pouco tempo tinha tanta vergonha de haver publicado versos tão ingénuos que passei a assinar com outro nome aquilo que ia escrevendo. Voltei a publicar, voltei a arrepender-me, e não seria essa a última vez. Frequentemente desejei não ter escrito um único verso, o anonimato total, o silêncio. Estive meses e até anos sem escrever uma só linha, com nojo da poesia, como se fora excreção imunda. É que, desde muito cedo, escrever foi para mim a ambição de exprimir uma certa consciência do mundo, consciência infeliz, naturalmente, mas responsável, e sempre o que fazia me parecia muito aquém da minha ambição.
          Ficámos amigos, passei a vê-lo frequentemente; a ele (e ao amigo que me apresentou no nosso primeiro encontro) sou-lhe devedor do conhecimento de Fernando Pessoa e dos poetas presencistas. Pessoa ia tomar conta de mim: passei tardes e tardes inteiras na Biblioteca Nacional a copiar em cadernos escolares os seus versos de revistas já então muito raras. Foi um tempo admirável.
in Rosto Precário, pp. 54-57

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TEXTO 2
 
Sou filho de camponeses, passei a infância numa daquelas aldeias da Beira Baixa que prolongam o Alentejo e, desde pequeno, de abundante só conheci o sol e a água. Nesse tempo, que só não foi de pobreza por estar cheio do amor vigilante e sem fadiga de minha mãe, aprendi que poucas coisas há absolutamente necessárias. São essas coisas que os meus versos amam e exaltam. A terra e a água, a luz e o vento consubstanciaram-se para dar corpo a todo o amor de que a minha poesia é capaz. As minhas raízes mergulham desde a infância no mundo mais elementar. Guardo desse tempo o gosto por uma arquitectura extremamente clara e despida, que os meus poemas tanto se têm empenhado em reflectir; o amor pela brancura da cal, a que se mistura invariavelmente, no meu espírito, o canto duro das cigarras; uma preferência pela linguagem falada, quase reduzida às palavras nuas e limpas de um cerimonial arcaico - o da comunicação das necessidades primeiras do corpo e da alma. Dessa infância trouxe também o desprezo pelo luxo, que nas suas múltiplas formas é sempre uma degradação; a plenitude dos instantes em que o ser mergulha inteiro nas suas águas, talvez porque então o mundo não estivesse dividido, a luz cindia (dividida), o bem e o mal compartimentados; e, ainda, uma repugnância por todos os dualismos, tão do gosto da cultura ocidental, sobretudo por aqueles que conduzem à mineralização do desejo num coração de homem. A pureza, de que tanto se tem falado a propósito da minha poesia, é simplesmente paixão, paixão pelas coisas da terra, na sua forma mais ardente e ainda não consumada.
Eugénio de Andrade

O silêncio

Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,
e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,
quando azuis irrompem
os teus olhos
e procuram
nos meus navegação segura,
é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,
pelo silêncio fascinadas.

 
 Eugénio de Andrade
em Obscuro Domínio

Eternidade


Vens a mim
pequeno como um deus,
frágil como a terra,
morto como o amor,
falso como a luz,
e eu recebo-te
para a invenção da minha grandeza,
para rodeio da minha esperança
e pálpebras de astros nus.
Nasceste agora mesmo. Vem comigo.

Jorge de Sena, in 'Perseguição'

sexta-feira, 19 de abril de 2013

não um dr.


não um dr. mas mil drs. de um só reino,
e não se tem paciência para mandar tantas vezes à merda,
oh afastem de mim o reino,
[…] ó stôr não me foda com essa de história literária,
o stôr passou-se da puta da mona,
a terra extravasa do real feito à imagem da merda

Herberto helder

A faca não corta o fogo

a faca não corta o fogo,
não me corta o sangue escrito,
não corta a água,
e quem não queria uma língua dentro da própria língua?
eu sim queria,
jogando linho com dedos, conjugando
onde os verbos não conjugam,
no mundo há poucos fenómenos do fogo,
água há pouca,
mas a língua, fia-se a gente dela por não ser como se queria,
mais brotada, inerente, incalculável,
e se a mão fia a estriga e a retoma do nada,
e a abre e fecha,
é que sim que eu a amava como bárbara maravilha,
porque no mundo há pouco fogo a cortar
e a água cortada é pouca,
que língua,
que húmida língua, que muda, miúda, relativa, absoluta,
e que pouca, incrível, muita,
e la poésie, c’est quand le quotidien devient extraordinaire, e que música,
que despropósito, que língua língua,
é do Maurice Lefèvre, e como rebenta com a boca!
queria-a toda


Herberto Helder, in " A Faca Não Corta o Fogo, súmula & inédita ", pp. 66-67, Assírio & Alvim, Lisboa, Setembro de

Última vontade



Quando a sereia se ouvir
no coração desolado como uma cidade
recorda que te procurámos através das árvores
E tu escondias-te por trás dos frutos
e recolhíamos as mãos
cheias apenas de tempo
Sempre brincaste connosco
desde os dias da nossa juventude
Puseste-nos nos olhos
estação sobre estação e a vida dava as mãos
de árvore para árvore à volta da terra
Ia de ramo morto para ramo vivo
como um pássaro mais e nós ríamos
na tua transparência
Fechem-se-te agora os lábios
sobre a palavra que somos
Perdoa se algum dia
errámos com o coração
Não nos deixes morrer longe de Jerusalém

Ruy Belo, in "Aquele Grande Rio Eufrates", Lisboa : Ática, 1961

Há uma primavera em cada vida

“Há  uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...”

 Florbela Espanca

Um Deus à nossa medida

Um Deus à nossa medida...
A fé sempre apetecida
De ver nascer um menino
Divino
E habitual.
A transcendência à lareira
A receber da fogueira
Calor sobrenatural.

Miguel Torga, in " Diário VII" , Obra Completa, Círculo de Leitores

A margem do pântano

A margem do pântano

Para Jorge de Sena

Tudo me dói como se fora medo
ou ânsia de ficar aquém da morte
brincando na ilusão de estar vivendo
medos perdidos, pélagos selados.
Sonhos não chegam para tamanha sorte
ou chegam, mas são fúria lá no centro
de um mundo onde não vivo, iluminado
por mão intemerata já sem norte.
Acaso quebro lages, desço fundo,
laços desfaço de invisível corda.
Ao centro que me foge e que não quero
logo deslizo como quem se avilta
no lixo temporal muro fechado.
Enquanto o dia não chega a febre aumenta.
Vozes insistem pela madrugada.
Lanço de mim o grito inesperado:
eu vivo, sou, e sonho, ou desespero!
realidade és medo, a dor é nada!

RUY CINATTI, in "Conversa de Rotina ", 1973

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Hélia Correia

1.

Para quê, perguntou ele, para que servem
 Os poetas em tempo de indigência?
 Dois séculos corridos sobre a hora
 Em que foi escrita esta meia linha,
 Não a hora do anjo, não: a hora
 Em que o luar, no monte emudecido,
 Fulgurou tão desesperadamente
 Que uma antiga substância, essa beleza
 Que podia tocar-se num recesso
 Da poeirenta estrada, no terror
 Das cadelas nocturnas, na contínua
 Perturbação, morada da alegria;

2.

Essa beleza que era também espanto
 Pelo dom da palavra e pelo seu uso
 Que erguia e abatia, levantava
 E abatia outra vez, deixando sempre
 Um rasto extraordinário. Sim, a hora,
 Dois séculos antes, em que uma ausência
 E o seu grande silêncio cintilaram
 Sobre a mão do poeta, em despedida.

7.

Nós, os ateus, nós, os monoteístas,
 Nós, os que reduzimos a beleza
 A pequenas tarefas, nós, os pobres
 Adornados, os pobres confortáveis,
 Os que a si mesmos se vigarizavam
 Olhando para cima, para as torres,
 Supondo que as podiam habitar,
 Glória das águias que nem águias tem,
 Sofremos, sim, de idêntica indigência,
 Da ruína da Grécia.

23.

A terceira miséria é esta, a de hoje.
 A de quem já não ouve nem pergunta.
 A de quem não recorda. E, ao contrário
 Do orgulhoso Péricles, se torna
 Num entre os mais, num entre os que se entregam,
 Nos que vão misturar-se como um líquido
 Num líquido maior, perdida a forma,
 Desfeita em pó a estátua.

[in A Terceira Miséria, Relógio d'Água, 2012]

Hélia correia

32.

Estão as praças,
 Como ágoras de outrora, estonteadas
 Pela concentração dos organismos,
 Pelo uso da palavra, a fervilhante
 Palavra própria da democracia,
 Essa que dá a volta e ilumina
 O que, por um instante, a empunhou.
 Oh, os amigos, os abandonados,
 Esses, os destinados ao extermínio,
 Esses os belos despojados, nus,
 Os que, mesmo nascendo no Inverno,
 Pouco sabem do frio, gente que dorme
 Na sombra do meio-dia, ouvindo o canto
 Das cigarras, o canto sobre o qual
 Hesíodo escreveu. Gente do Sul,
 Gente que um dia se desnorteou.

33.

De que armas disporemos, senão destas
 Que estão dentro do corpo: o pensamento,
 A ideia de polis, resgatada
 De um grande abuso, uma noção de casa
 E de hospitalidade e de barulho
 Atrás do qual vem o poema, atrás
 Do qual virá a colecção dos feitos
 E defeitos humanos, um início.

Hélia Correia
Dois fragmentos finais(de a terceira miséria)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Isto é o meu corpo


O corpo tem degraus, todos eles inclinados
milhares de lembranças do que lhe aconteceu
tem filiação, geometria
um desabamento que começa do avesso
e formas que ninguém ouve
O corpo nunca é o mesmo
ainda quando se repete:
de onde vem este braço que toca no outro,
de onde vêm estas pernas entrelaçadas
como alcanço este pé que coloco adiante?
Não aprendo com o corpo a levantar-me,
aprendo a cair e a perguntar.
José Tolentino Mendonça, in "Estação Central", Ed. Assírio & Alvim, 2012

Tanto siêncio


Para cá de mim e para lá de mim, antes e depois.
E entre mim eu, isto é, palavras,
formas indecisas
procurando um eixo que
lhes dê peso, um sentido capaz de conter
a sua inocência
uma voz (uma palavra) a que se prender
antes de se despedaçarem
contra tanto silêncio.
São elas, as tuas palavras, quem diz "eu";
se tiveres ouvidos suficientemente privados
podes escutar o seu coração
pulsando sob a palavra da tua existência,
entre o para cá de ti e o para lá de ti.
Tu és aquilo que as tuas palavras ouvem,
ouves o teu coração (as tuas palavras "o teu coração")?


Manuel António Pina, in "Os livros", Ed. Assirio & Alvim, 2003

A palavra

A Palavra
Já não quero dicionários
consultados em vão.
Quero só a palavra
que nunca estará neles
nem se pode inventar.
Que resumiria o mundo
e o substituiria.
Mais sol do que o sol,
dentro da qual vivessemos
todos em comunhão,
mudos,
saboreando-a.

Carlos Drummond de Andrade, in 'A Paixão Medida'

O último poema

Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

Poema extraído do livro " Manuel Bandeira — 50 poemas escolhidos pelo autor", Ed. Cosac Naify – São Paulo, 2006

Letreiro

Porque não sei mentir,
Não vos engano:
Nasci subversivo.
A começar por mim - meu principal motivo
de insatisfação -,
Diante de qualquer adoração,
Ajuízo.
Não me sei conformar.
E saio, antes de entrar,
De cada paraíso.


Miguel Torga, in "Orfeu Rebelde", 1958

Vai-te poesia

Vai-te, Poesia!
Deixa-me ver a vida
exacta e intolerável
neste planeta feito de carne humana a chorar
onde um anjo me arrasta todas as noites para casa pelos cabelos
com bandeiras de lume nos olhos,
para fabricar sonhos
carregados de dinamite de lágrimas.
Vai-te, Poesia!
Não quero cantar.
Quero gritar!

Poesia - José Gomes Ferreira

o desencantador

(…)
eu
a minha história
começou há milhares de anos
e continua é claro
está agora a passar-se
  como a tua
e vai continuar a passar-se
durante não sei quantos anos mais


transformar homens em animais
ou em escravos que é o mesmo
eu conheço isso melhor que ninguém
o tempo é uma burla

inventada pelos deuses
que tanto fazem de Lucius um burro
dizem eles aos poetas
como também depois dizem e mentem
“trabalha para o futuro” quer dizer
trabalha sempre para eles

e como perguntas
  se é o silêncio
que nos permite existir

olha que é verdade
nunca houve um acto limpo

na história
eu sofri por isso
e dito isto
pôs a máscara de burro
vês o que é um escravo
disse ele

Lucius disse eu
tu és Lucius (…)

alberto pimenta o desencantador