quinta-feira, 4 de outubro de 2012

São horas de voltar

São horas de voltar. Tu já não vens, e a espera
gastou a luz de mais um dia. Agora, quem passar
trará um corpo incerto dentro do nevoeiro,
mas terá outro nome e outro perfume. Eu volto

a casa onde contigo se demorou o verão e arrumo
os livros, escondo as cartas, viro os retratos
para a mesa. Sei que o tempo se magoou de nós,
sei que não voltas, e ouço dizer que as aves
partem sempre assim, subitamente. Outras virão

                                   em março, apago as luzes do quarto, nunca as mesmas.


                                                          Maria do Rosário Pedreiras

Sem comentários:

Enviar um comentário