quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Contra a manhã burra

o vinho é branco a tarde cai o dia avança no vento
 na boca acorda o último cigarro o poema segue o risco
 a claríssima insuficiência

é este o incêndio da tarde o fim do almoço
 a violência dos pássaros as crianças dormem a sesta
 reclusas na sombra azul dos quartos

mãos sem sentido
 arroz na folha de videira muro caiado de branco
 e roseiras

gastronomias inexplicáveis contêm a vida e os pátios
 aquela noite grega que não soubemos redigir
 vespas bebendo da boca das torneiras

escrevo o poema que não lerás nunca
 sobre a toalha de plástico da mesa suja
 de azeite

a mão esquecida na vírgula acesa do cigarro
 a minha solidão vincada a cotovelos no padrão da toalha
 as crianças dormindo na

nitidez esquecida da telefonia

Miguel-Manso
 in contra a manhã burra.

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