Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te
cortarmos a mão.
Ele estava desempregado há muito tempo; tinha
filhos, aceitou.
Mais tarde foi despedido e de novo procurou
emprego.
Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te
cortarmos a mão que te resta.
Ele estava desempregado há muito tempo; tinha
filhos, aceitou.
Mais tarde foi despedido e de novo procurou
emprego.
Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te
cortarmos a cabeça.
Ele estava desempregado há muito tempo; tinha
filhos, aceitou.
O homem mal-educado
O mal-educado não tirava o chapéu em nenhuma
situação. Nem às senhoras quando passavam, nem em reuniões importantes, nem
quando entrava na igreja.
Aos poucos a população começou a ganhar repulsa
pela indelicadeza desse homem, e com os anos esta agressividade cresceu até
chegar ao extremo: o homem foi condenado à guilhotina.
No dia em questão colocou a cabeça no cepo,
sempre, e orgulhosamente, com o chapéu.
Todos aguardavam.
A lâmina da guilhotina caiu e a cabeça
rolou.
O chapéu, mesmo assim, permaneceu na
cabeça.
Aproximaram-se, então, para finalmente
arrancarem o chapéu àquele mal-educado. Mas não conseguiram.
Não era um chapéu, era a própria cabeça que
tinha um formato estranho.
Gonçalo m Tavares
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