terça-feira, 17 de junho de 2014

«Grandes ventos assolam-se

«Grandes ventos assolam-se o rosto, as estações da idade, a denúncia do corpo.
Grandes vagas esculpem-me as mãos vazias, finalmente vazias e brancas, contraditória sedução matinal revelada pela argúcia do orvalho das laranjeiras;
Grandes vozes se levantam nas minhas costas, as vozes passadas e as vozes a haver, as vozes iradas e lentas, inevitáveis e insondáveis,
         e todas as mundanas, bichos e plantas, ventos e brisas, se acomodam nos mistérios, nas partituras do sal e dos esquecimentos do sal e do esquecimento;
Como soletrar a memória, os belos fragmentos aportados pelas vagas?»
Jorge Fallorca, "A Cicatriz do Ar", Edição de Autor, 2009

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