terça-feira, 17 de junho de 2014

Ninguém nos moldará

Ninguém nos moldará de novo em terra e barro,
Ninguém animará pela palavra o nosso pó
Ninguém
Louvado sejas, Ninguém
Por amor de ti queremos
florir
Em direção
a ti
Um Nada
fomos, somos, continuaremos
a ser, florescendo:
a rosa do Nada, a
de Ninguém
Com
o estilete claro da alma,
o estame ermo do céu,
a corola vermelha
da purpúrea palavra que cantamos
sobre, oh, sobre
o espinho

Paul Celan, "Sete Rosas Mais Tarde", Edições Cotovia, 1996

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